Artur Guedes da Silva nasceu em 1º de agosto de 1957, no município cearense de Acopiara. Formou-se em Psicologia em 1990 pela Universidade Federal do Ceará (UFC), mas foi durante sua passagem pelo curso de Medicina sutilmente descartado às vésperas da Graduação , nos anos 70, que iniciou suas primeiras experiências com as artes cênicas, quando escreveu, sob as influências do curso, as peças “Labirinto” e “A Filha de Hipócrates”.
Além de escrever peças, foi diretor teatral, poeta e ator. Na década de 80 esteve à frente de diversos espetáculos realizados em espaços alternativos que permitiam explorar seu lado mais satírico, além do humor agudo e das experimentações estéticas.
Versátil e abrangente, sua arte singular explorou outras formas de expressão. Iniciou na sétima arte em 1998, com o roteiro para o longa-metragem “Os Habitantes da Lua”, pelo qual recebeu o prêmio do Ministério da Cultura, e realizou outros trabalhos enveredando pelas artes dramáticas não-teatrais. Como radialista, esteve à frente de vários programas, com destaque para o Música Erudita”, veiculado por mais de 20 anos pela Rádio FM Universitária.
Segundo o professor e pesquisador Gilmar de Carvalho, no humor corrosivo, na sátira, na paródia, Artur Guedes foi tão grande quanto Carlos Câmara. Um Carlos Câmara do nosso tempo, com todas as virtudes e mais algumas, como a informação, a sintonia com o que se fazia nos grandes centros e a não-perda de referências do lugar onde escrevia.
Para ele, não havia distinção entre gêneros. A igualdade dos seres e a diversidade do amor, em todos os sentidos, não eram meras palavras, mas uma vivência cotidiana. Em sua arte e em sua vida, era clara a identificação visceral com as palavras do poeta Caetano Veloso, "qualquer maneira de amor vale a pena, qualquer maneira de amor vale amar".
“...sei que o tempo morde a amizade
(vi marcas de dentes nos meus amigos)
sei também que o silêncio
chove sobre a amizade
(quase não reconheci meus amigos molhados)
eu sou assim...”
Artur Guedes